Sem dor e sem medo, como vencer a violência doméstica

Pieter Cohen, MD e Margarida Holmes, assistência social*

Durante mais de um ano Regina (nome fictício para proteger a identidade) sofreu ataques de ansiedade, dor de cabeça e de estômago. Embora esses sintomas fossem causados por um relacionamento abusivo, ela nunca mencionou isto a ninguém. Sendo imigrante brasileira e recentemente casada com um cidadão americano, ela tinha medo de perder a oportunidade de conseguir o green card. Ela também pensava, de maneira errada, que se denunciasse o seu marido ela teria que ir embora dos Estados Unidos. Infelizmente, esta história é bastante comum.

A violência doméstica coloca as mulheres em uma situação muito complicada, e geralmente é difícil deixar o relacionamento. Algumas podem ter medo de ser isoladas ou do estigma que pode acompanhar deixar o marido. Outras mulheres podem sofrer ameaças de algum mal a si mesmas ou aos seus filhos se elas deixarem o relacionamento. Ainda outras preferem não denunciar o abuso com medo de fazer mal a alguém que elas amam. Também é comum que a mulher se culpe pela situação. Por todos estes motivos é difícil, e pode ser perigoso para uma mulher deixar um relacionamento abusivo.

Para as imigrantes isto ainda é mais complicado porque o agressor pode ameaçar entregar a mulher à Imigração se ela não tiver documentos, ou argumentar que ela poderia perder a residência permanente se ela falar com a polícia. Outro medo comum relatado pelas imigrantes é que ao denunciar o abuso elas podem perder o apoio financeiro, ou as crianças podem ser removidas do seu cuidado. Nestes casos específicos o abuso, que pode ser físico, psicológico, sexual ou financeiro, permanece em segredo. Infelizmente a violência doméstica tende a escalar com o tempo, e eventualmente a vida da mulher pode correr perigo.

O sistema legal dos Estados Unidos protege as vítimas de abuso, independente da nacionalidade. As leis que protegem as vítimas de violência doméstica se aplicam às imigrantes, mesmo as ilegais. Por exemplo o Violence Against Women Act - VAWA  (Lei da Violência Doméstica contra Mulheres)  protege mulheres cuja situação legal depende do agressor. Os advogados que se especializam em violência doméstica podem ajudar a proteger os direitos das imigrantes. Além disto, também existem lugares seguros que são financiados por fundos do Estado de Emergência federal e estadual para mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos.

Independente da situação legal nos Estados Unidos, é essencial conseguir ajuda antes que a violência tome proporções mais sérias. Um lugar ótimo para começar é telefonar para uma linha direta de violência doméstica tal como a Safe Link no número 1-877-785-2020 que fornece aconselhamento em português. Os conselheiros podem responder a perguntas específicas ou conectar a mulher a vários recursos na comunidade tal como abrigos temporários ou grupos de aconselhamento e de defesa. Outra opção é falar com o seu médico. Em casos de emergência, ligue para 911 ou vá ao pronto-socorro mais próximo (como o Serviço de Emergência Psiquiátrica do Cambridge Hospital, 1493 Cambridge Street).

É tão difícil para uma mulher falar sobre a violência doméstica sofrida, que geralmente os sintomas do abuso aparecem de outra forma. Muitas vezes a mulher que sofre o abuso, como Regina, apresenta depressão ou ansiedade. Outras vezes ela pode ter marcas físicas decorrentes da agressão, mas justificá-las como simples acidentes. Amigos e parentes devem ficar de olho para os sinais de violência doméstica e oferecer todo o apoio para que seus entes queridos consigam ajuda.

Traduzido do Inglês por Maria Terra.

 

 

 


 

 

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