Sucesso brasileiro nas escolas de Everett
Superintendente Foresteire e assistentes falam da diversidade verde e amarela
Mark Puleo
No final de agosto, mais de 5,400 estudantes passarão pelas portas de acesso das escolas públicas de Everett – quase todos esses prédios foram construídos no século 21 com o resultado de um dos maiores programas de construção escolar – e mais da metade desses estudantes virão de casas onde sua primeira língua não é o inglês. Mesmo sendo quase impossível para o sistema escolar manter números exatos da quantidade de estudantes que são imigrantes, não seria difícil descrever o sistema de escolas públicas de Everett como um dos de maior diversidade em Massachusetts, onde os brasileiros resultam em um a cada quatro estudantes registrados nas escolas.
Liderando esse sucesso escolar está Frederick F. Foresteire, Superintendente das Escolas Públicas de Everett desde 1990. Foresteire é um antigo educador e residente de Everett que tem ajudado a transformar as escolas num sistema de sucesso entre sua população, dentro de uma comunidade de rápida transformação econômica e demográfica. Liderada por Foresteire, o sistema escolar se consolidou de um pequeno número velho de escolas, a três novos prédios, entre eles uma escola elementária modelo, casa de estudantes do pré-escolar ao primário (pre-Kindergarten to Eighth Grade), além da mais nova escola de ensino fundamental (High School) – um prédio de alta tecnologia e inovação que abriu em 2007.
“Primeiro, quero deixar claro que todos os estudantes são bem vindo nas escolas públicas de Everett,” explica Foresteire numa recente entrevista exclusiva ao The Brazilian Journal Magazine, com a participação da Diretora de Currículo, Janice Gauthier; o Superintendente Assistente Dr. Thomas Stella; e o Principal da Everett High School, Charles Obremski. “Não somos oficiais de imigração, e nem é esse o nosso trabalho. Nós temos a responsabilidade e obrigação de educar a todas as crianças que residem em Everett.”
O senhor Foresteire explica que o processo de matrícula foi modificado para novos estudantes, se tornando particularmente mais fácil para os pais imigrantes matricularem seus filhos. Primeiro, as matrículas são feitas na Everett High School, na Elm Street, próximo ao Glendale Park. Intérpretes estão disponíveis nas línguas mais comuns, particularmente o português. O sistema público ajudará no processamento de exames médicos e imunizações para crianças que não tenham históricos médicos na hora da matrícula.
“Nós temos uma excelente relação com a Cambridge Health Alliance,” explicou Foresteire. “É um sistema de saúde bastante atencioso às necessidades de crianças imigrantes.” Em seguida, o sistema escolar avalia as crianças e fala com os pais sobre as opções de colocar seus filhos nas classes normais, onde apenas se fala inglês, ou no programa de transição conhecido como “Sheltered”. O programa Sheltered visa facilitar a integração das crianças em salas onde os alunos falam apenas a língua inglesa.
“Em todo o sistema, existem cerca de 567 estudantes que determinamos não são fluentes na língua inglesa,” ressaltou o Dr. Stella. “Mesmo assim, muitos parentes optaram em colocar seus filhos nas salas onde apenas se fala inglês – cerca de 263 deles. A outra metade está no programa de transição.”
Dr. Stella faz questão de falar que mesmo aqueles estudantes no programa de transição recebem o mesmo tratamento e qualidade na educação: todos os instrutores de English as a Second Language são certificados. Quando questionado sobre a documentação para se registrar nas escolas, Foresteire fala que os únicos documentos necessários para novos estudantes são comprovantes de residência em Everett.
“Uma conta de gás ou qualquer outra conta, talvez a cópia do contrato de aluguel ou uma carta do proprietário do imóvel – esses são documentos que comprovam que alguém mora em Everett,” acrescenta Foresteire. “Talvez, um dos maiores receios que alguns parentes tenham é que nós tenhamos alguma relação com a polícia ou oficiais de imigração. Isso é absolutamente uma inverdade porque esse não é o nosso trabalho! Pais podem ficar totalmente confortáveis quanto a isso.”
Assim que um novo aluno está registrado no sistema escolar, ele tem acesso a todas as dependências e riquezas educacionais. Como ressalta a senhora Gauthier, o currículo é desenvolvido para ajudar crianças a se relacionarem com o mundo real, oferecendo oportunidades que, talvez, eles não teriam porque geralmente seus pais estão muito ocupados trabalhando – programa de teatro, viagens a museus e centros naturais. E com a criação do Programa de Construção Escolar, as escolas estão equipadas com os mais modernos computadores e equipamentos de ciência tecnológica do estado.
E ao ser questionado especificamente sobre os brasileiros, Dr. Stella e o senhor Obremski se empolgam. “Uma de nossas histórias favoritas se refere a dois irmãos que são do Brasil. Eles superaram todas as expectativas quando foram alunos da Everett High School, e acho que eles foram excelentes representantes dos estudantes brasileiros em geral. O momento que mais nos emocionou foi quando eles nos presentearam com as camisas da Everett High School nas cores da bandeira brasileira,” lembra Dr. Stella.
E foi naquele momento, explicou Obremski, que aqueles jovens mostraram que consideravam a Everett High como sendo a “sua escola” e não apenas um lugar onde eles se encontravam.
Os administradores também ressaltaram o quanto esforçados são os estudantes brasileiros, muitos deles trabalhando de 30 a 40 horas por semana, além de estudarem e serem bem sucedidos.
“Brasileiros estão entre o grupo de alunos esforçados em nossas escolas. Eles trabalham e estudam duro, mantêm suas vidas pessoais privadas e não estão entre aqueles com notas ruins em suas provas, ” explicou o Dr. Stella.
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